sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

A gente corre, pra cima e pra baixo, pra fazer a vida ter sentido sem sequer perceber que o sentido da vida não está nas coisas que nos fazem correr.
A gente morre a cada dia procurando viver e no fim da vida descobre que o que nos torna vivos são as coisas pelas quais se valem a pena morrer.
A gente coleciona sorrisos, abraços, beijos, alianças, na espera de não estar só, porque viver é solitário. Nos juntamos às pessoas que às vezes estão tão sozinhas quanto nós mesmos, como se fosse bastante somar dois perdidos pra se acabar com uma solidão em comum.
A gente compara exemplos, segue receitas, destrincha mapas... na ilusão de encontrar um caminho, sem coragem de imaginar que a estrada não existe, ou se existe, leva a diferentes lugares em diferentes momentos.
Queremos acreditar que o futuro é bom, sem nem saber se existirá um futuro, mas acreditamos pq nem sempre o presente é bom. Acreditar nas coisas nos acalma, talvez pq nós não acreditamos em nós mesmos.
A gente se olha no espelho e o que vê é somente um reflexo da ilusão que queremos ver. Nos vemos perfeitos, como se houvessem duas metades iguais, mas pra o bom observador, a perfeição está na assimetria, pois o mundo é assimétrico, a vida tbm e até nós mesmos temos um lado que sempre sai melhor na foto. Tão irônico quanto um gole de cianureto num cálice de cristal, pq nem sempre a vida é o antídoto, às vezes ela é o veneno.

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