quinta-feira, 18 de novembro de 2010

A última viagem


Era noite, não havia luz tampouco esperança. Na cabeça um monte de coisas e na boca o gosto horrível de tudo o que eu não falei. Andava sozinho mas havia pessoas ao meu redor, flashes de luzes e memórias, rostos e vozes familiares e outras nem tanto. Havia uma ponte que não me levava a lugar nenhum, havia vozes que não me diziam nada, havia olhares que fulminavam mas nenhum que enxergasse. As paredes tinham ouvidos mas meu grito ficou mudo. Havia perguntas, nenhuma resposta. Havia emoções mas não existia razão pra nada. Havia flores nos espinhos mas quem se arriscaria a colhê-las?
Um sino tocava ao longe mas o lugar não tinha igrejas, não existia crenças e as pessoas eram sem fé. Os carros passavam, faróis iluminavam, as placas indicavam estradas perdidas, ruas sem saída, caminhos sem destinos. As pessoas sem rostos viviam pelo simples fato de existir e o preço para isso nem todas podiam pagar. Era a lei do cão num mundo de caos. A bebida não embriagava, o peso nos ombros surtia mais efeito.

Uma grande e arrogante senhora vestida de arrependimento apontava seus dedos sujos de lágrimas, era chamada de Consciência. A moeda corrente era lembranças e o troco se dava em medo, todos guardados num cofre cheio de orgulho.

Eu estava armado mas o alvo era sempre eu mesmo. Olhava pro espelho que refletia tudo o que eu odiava, as coisas que eu não era. Como viver na ilusão?

Tirava facas das minhas costas de aço nobre, cabo entalhado e o meu sobrenome gravado nas lâminas. Atravessavam meu peito e destruíam castelos onde a vida poderia ter sido diferente.

Queria correr mas tinha mãos me prendendo, havia covardia e responsabilidade empilhadas nas prateleiras onde estavam as cordas e a escada. Não gostava de nada que via e pronto para a queda livre perguntei ao carrasco que me acenava num gesto de olá: “Onde estou, como faço pra sair?”

Com voz de desprezo e um pouco de ironia ele respondeu: “Não se pode sair. Bem vindo a si mesmo.”

[...pra quem não sabe dizer adeus às coisas que nem possui]

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Um vazio em meio a tudo


Meu dia começou cedo.
Faz tempo mas ainda não aprendi, tvz nunca consiga. A verdade é q eu sinto a sua falta.
Você se foi e nem perguntou se eu tava pronto. Logo eu, que sempre achei que podia tudo, que era de ferro. Logo eu, que não sabia do que era capaz, não havia descoberto ainda um motivo pelo qual se valesse a pena viver, ou morrer...
Você partiu e tudo se tornou vazio. Onde deveria haver luz agora há um buraco imenso. Na sala, no quarto, no coração...
Queria tanto a sua mão. Pra me segurar porque eu estou caindo. Pra me guiar porque eu não enxergo mais nada direito. Queria te ouvir dizendo que ainda há um sentido pra tudo isso e que depois da tempestade vem a bonança. Queria o seu toque pra que eu não enlouquecesse, não pensasse tanta coisa que eu nem quero pensar mas que toma minha mente o dia inteiro.
Dizem que homem não chora e é aí que eu vejo que o que você deixou pra trás foi um menino, uma criança que jamais vai superar sua perda. Tão infantil que às vezes pensa em te ligar pra pedir conselhos, conselhos iguais aos que eu nunca pedi por achar que "cuidava de mim mesmo".
O tempo passa e a saudade se torna mais forte me deixando mais fraco. Às vezes não sei como agir, como reagir ou como pensar. Não sei como vai ser daqui pra frente, você não me deixou um manual de como as coisas deveriam ser quando você não estivesse por perto. Ando tentando seguir um padrão em minha vida improvisada, não tenho passos pra acompanhar então vou engatinhando sem direção pra um destino que não sei como construir.
Hoje a lágrima ainda cai e cairá por muito tempo. Seu silêncio ainda fala muita coisa mas continua me deixando sem respostas.
Hoje o dia será longo e a noite me trará o que sempre traz: uma imagem sua quando eu encostar a cabeça no travesseiro.


[...pra quem acha que é de ferro...]