sábado, 22 de dezembro de 2018

Mudar.
Talvez este seja o segredo da vida.
Passamos por infinitas mudanças desde qdo fomos concebidos até o último suspiro q nos resta e nos leva a um lugar desconhecido por nossos meros pontos de vista.
Mudamos, como o trigo q vira cerveja, da infância para a adolescência, qdo somos adultos e ao nos tornarmos idosos. Mudamos qdo cortamos o cabelo ou fazemos uma tattoo. Qdo perdemos os dentes, sejam os de leite ou os permanentes q dão lugar às próteses conforme a idade chega ou a vida se desenrola.
Mudamos qdo aprendemos algo e temos o poder de mudar os outros qdo os ensinamos qqr coisa q seja, desde um abc até os arpejos no braço de uma guitarra.
Mudamos a cada passo q damos e, mesmo q andemos pra trás, estamos exercendo o contínuo objetivo de viver: o de estarmos em constante mudança mesmo q para isso precisemos retroceder. O importante é não parar!
Mudamos qdo trocamos nossa posição política-social ou simplesmente quando caminhamos pelo outro quarteirão mais arborizado no caminho pra casa.
Nos últimos meses eu aprendi muito com as minhas mudanças. Me enchi de tatuagens, comecei algo totalmente novo, pintei e raspei meu cabelo simplesmente p me dar o direito de experimentar quem eu quero ser. Aprendi a amar de novo e percebi que alguns amores são invariavelmente imutáveis. Mudei de amigos, de apartamento, de estilo musical, mudei hábitos antigos e mudei de opinião todas as vezes q a vida exigiu isto.
É mudando q eu aprendo, é aprendendo q eu ensino, é ensinando q percebo o quanto ainda tenho a aprender e, logo, a mudar.
Se você me perguntar qual a razão disso tudo, tvz eu não saiba responder de imediato, ou tvz essa ainda seja uma resposta em transição.
Me mantive vivo por mais um ano, mudei o suficiente pra procurar ajuda e aceitar o simples fato de q não sou de ferro, afinal o ferro é algo ordinariamente finito e eu quero (e preciso) estar em constante mudança. Engordei uns 15 kgs em poucos meses e se isso pra vc é piada, é pq não sabe a razão da minha luta.
Nessas mudanças q a vida oferece, uma hora eu vou chegar a ser quem eu quero ser, se é q daqui p lá eu já não tenha mudado de opinião.
Faça igual. Seja sempre o mesmo, mas não seja o mesmo pra sempre.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

Não é o escuro, não é o silêncio, não é a tristeza, não é ser fechado, não é estar calado, não é viver deitado.
Não é sentir medo, não é sofrer de insônia, não é ter cansaço, não é deixar cair uma lágrima, não é ter remorso, não é ter orgulho. Não é a decepção, não é o arrependimento, não é doença, não é um estado, não é dor no peito, não é aperto no coração, não é uma fase, não é desgosto.
Não é pq "perdeu a graça", não é "quero ficar só", não é o "eu to lgl", não é pq "não quero ir", não é "frio de fim noite", não é viver "morgado como um domingo à tarde".
Não é a chatice, não é um problema, não é trauma, não é desilusão.
Não é a falta de confiança, não é a descrença, não foi traição, não é o sorriso amarelo, não é o olhar sem brilho, não são as longas histórias.
Não é nada... é tudo!
Não é ninguém... sou eu...

sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

A gente corre, pra cima e pra baixo, pra fazer a vida ter sentido sem sequer perceber que o sentido da vida não está nas coisas que nos fazem correr.
A gente morre a cada dia procurando viver e no fim da vida descobre que o que nos torna vivos são as coisas pelas quais se valem a pena morrer.
A gente coleciona sorrisos, abraços, beijos, alianças, na espera de não estar só, porque viver é solitário. Nos juntamos às pessoas que às vezes estão tão sozinhas quanto nós mesmos, como se fosse bastante somar dois perdidos pra se acabar com uma solidão em comum.
A gente compara exemplos, segue receitas, destrincha mapas... na ilusão de encontrar um caminho, sem coragem de imaginar que a estrada não existe, ou se existe, leva a diferentes lugares em diferentes momentos.
Queremos acreditar que o futuro é bom, sem nem saber se existirá um futuro, mas acreditamos pq nem sempre o presente é bom. Acreditar nas coisas nos acalma, talvez pq nós não acreditamos em nós mesmos.
A gente se olha no espelho e o que vê é somente um reflexo da ilusão que queremos ver. Nos vemos perfeitos, como se houvessem duas metades iguais, mas pra o bom observador, a perfeição está na assimetria, pois o mundo é assimétrico, a vida tbm e até nós mesmos temos um lado que sempre sai melhor na foto. Tão irônico quanto um gole de cianureto num cálice de cristal, pq nem sempre a vida é o antídoto, às vezes ela é o veneno.
Gosto de pessoas felizes.
Gosto de gente humilde e sincera. Pessoas que sorriem com os olhos.
Gosto de gente verdadeira, que está pro que der e vier.
Gosto de quem sonha, de quem viaja no pensamento, corre atrás e realiza.
Gosto de quem se encaixa, quem se adapta a tudo e a todos, quem sabe viver no céu e no inferno e mesmo assim manter sua essência de simpatia e originalidade.
Gosto de gente batalhadora, de quem acredita. De quem não tem medo, que arrisca, que joga o pouco que tem pro alto em busca de algo melhor. Gosto de quem confia na intuição.
Gosto de gente forte de caráter, de quem não mede esforços, de quem tá sempre perto e sabe a hora de ficar longe.
Preciso dessas pessoas ao meu lado. Me sinto completo ao lado delas pq nem sempre eu consigo ser isso tudo sozinho.
E, afinal, o que nós somos?
Uma noite mal dormida que sempre leva a outra noite mal dormida.
Somos um movimento errado de peões num jogo de xadrez entre loucos. O resultado das nossas frustrações, das negativas que a vida nos dá a cada dia, o fruto dos nossos predicados quando o destino nos faz conjugar o verbo errado, e quando o sujeito se sujeita a tudo que lhe é imposto pelo insano prazer de estar vivo. Somos os sonhos que não realizamos como se estes fossem um frasco de Epocler na ressaca da vida. Somos o brilho perdido nos olhos de quem já viveu demais. A chama da vela barata de aniversário que apaga ao menor sopro de uma criança que sonha em ser astronauta ou jogador de futebol. Somos o silêncio que se contrapõe ironicamente aos gritos em nossa cabeça, a dor no joelho (ou nos ombros) que nos acompanha fielmente a cada inverno, os braços que nadam, nadam... e morrem na praia.
Somos um gole de cerveja entre um plano fracassado e outro, a piada que o tempo conta inúmeras vezes, até perder a graça que desde o princípio nunca teve. Somos o cego sem ser guiado, sem cachorro ou mão amiga, querendo atravessar a Floriano Peixoto às 18h. Somos uma música desritmada, tocada num violão desafinado, fora do tom e do compasso, fazendo nossos arrependimentos dançarem na festa da última noite.
Somos uma roleta russa com todas as balas no tambor, somos aquilo que não queremos, a pessoa que não conhecemos e que nem sempre confiamos ou gostamos. Um pedido desesperado de socorro quando não conseguimos gritar, correr ou sequer nos livrar dos braços que nos prendem à cama em uma crise de abstinência. A dor que não cabe no peito, a lágrima que teima em cair no meio da noite, no meio da rua, sem se importar com a plateia de estranhos à sua volta.
Somos o palhaço que, ao fechar as cortinas, depois de fazer todos rirem, retira sua maquiagem e dá lugar ao homem triste que sempre foi.
Pra terminar, o que nós somos? Somos parte da física que ninguém consegue entender e somos, também, uma química mal calculada nos planos de Deus, que apenas nos faz fingir que a vida é bela mesmo quando por dentro já viramos os farelos que o tempo leva.