quinta-feira, 19 de novembro de 2009

O que não pude falar

O valor de uma família vai além dos laços de sangue. Além da casualidade de pessoas afins nascerem com qualquer grau de parentesco.
O valor de uma família é algo indiscutível e absoluto. Está além das coisas banais, ultrapassando até mesmo os níveis absurdos de cumplicidade que se pode ter com os amigos mais chegados.
O valor de uma família não precisa obedecer a tolerância necessária para se manter as boas relações dentro de um convívio convenientemente regrado.
O valor de uma família se dá nos momentos de loucura, ao abraçar um amigo de surpresa só pra ver a cara de susto, nos momentos de raiva quando alguém toma para si os problemas dos outros e que, no final das contas, não levam a nada.
O valor de uma família está impresso num quadro de avisos onde todo mundo se abraça para caber na foto, e em muitas outras imagens que a lente da câmera não teve o prazer de captar mas que estarão pra sempre gravadas como lembranças de um tempo bom.
O valor de uma família está nas palavras mais difíceis e tôscas que um adulto que aproveitou a infância como ninguém pode falar, lembrando os tempos do ronconcon pra não demonstrar explicitamente que está muito à frente da nossa era.
A família perfeita é aquela que tem um cara super engraçado, com um dj imaginário em suas cordas vocais, que conta a piada do pinguim e do cara pidão e todo mundo se racha de rir.
Em toda família deveria existir um japa que todo mundo pudesse encaixar seu nome nas músicas bregas e cantar enquanto viaja sozinho no carro.
Todo mundo que é feliz deve ter um irmão mais velho que compra brigas intermináveis com o computador e reclama por ser refém de uma ferramenta que nunca conseguirá acompanhar o talento que tem, e um irmão mais novo capaz de colocar som na mala de uma Biz e comprar os bonecos mais pebas do mundo mesmo sabendo que eles formam um triângulo amoroso.
Na família que eu escolhi tem um cara acima de tudo humilde, que tem a barba mais irada e que pra mim sempre será exemplo de pessoa e profissional. Tem também a pessoa mais carregada que eu já vi, com um sorriso sincero e uma risada tão maluca quanto suas histórias.
No meu coração eu terei pra sempre algumas pessoas que carregam outras pessoinhas dentro de si e quero ter tbm uma criança gigante que só Deus sabe onde colocou seu juízo. Uma pessoa com quem rir e com quem chorar, que não enjoa de biquini cavadão, que morre no videogame e faz uma festa como se tivesse ganho a loteria, que acha que Snoopy = Pink Floyd mesmo querendo dizer Pink & Cérebro, alguém capaz de achar Belo bonito. Uma pessoa com um jeito único de fazer amizades e enorme talento p entrar em encrencas.
Nessa família falta o cara que, com lágrimas no olhos e o peito espremido, escreveu essas palavras por não ter conseguido falar ao se despedir.
Enfim, o valor da minha família está nas risadas, conselhos e lágrimas que se distribui gratuitamente para pessoas de coração bom, algumas que até nem vejo mais, mas que poderiam muito bem se chamar Madja ou Ródi... Está nos momentos que passaram mas não ficaram pra trás. Está nas idas ao peixe, à fava, Sport e Rock Bar, aos bodões da vida e até mesmo nas furadas que alguns deram. A felicidade iluminava uma sala cheia de malucos que, na falta de energia, jogavam Uno e desejavam que o apagão acontecesse todos os dias. Ela não estava só nos dias 25 qd visitávamos a Kátia Econômica Federal mas também nos momentos de pindaíba quando, com uma régua, alguém cutucava o cofrinho do Homem Aranha pra arrancar 1 real e comprar a cocada-ada. Esteve inclusive presente como coadjuvante num momento de dor insuportável quando todos me abraçaram e disseram: Seja forte.
A minha família tem as pessoas que eu quero, os que, por escolha própria, fui obrigado a me distanciar porém nunca esquecer. Minha família é da forma que sempre quis: complicada e perfeitinha, com suas igualdades e diferenças para mostrar que até mesmo no céu pode haver lágrimas.
A todos da minha família eu deixo meu respeito, minha reverência pelas pessoas que são, deixo um pedaço de mim e levo uma parte enorme de cada um. Deixo meu mais sincero sorriso, o abraço mais apertado e levo pra sempre o prazer de ter encontrado amigos e ter deixado irmãos.
[a todos que aprendi a amar e que por 2 anos souberam me manter feliz...]

domingo, 15 de novembro de 2009

Apague meu fogo com gasolina




Estavam todos errados.
O último encontro, frio como as noite de maio, colocou um ponto de exclamação no fim de palavras intermináveis.
O chumbo das palavras dele pesaram tanto que ela deve ter usado um guindaste pra conseguir entrar no quarto de cabeça erguida.
Tudo havia sido válido, ao menos para que servisse de lição. O encontro propositalmente ocasional, a esperança mais uma vez inútil de quem quer esperar resultados diferentes fazendo tudo do mesmo jeito, enfim, os mesmos erros de sempre para quem tenta acertar os ponteiros de um relógio que gira ao contrário.
Ela, como de costume, espirrava mentiras que cortavam como navalhas, enquanto ele pensava, já sem nenhum sinal de respeito, em como ela era capaz de mentir para alguém que sequer enganaria a si mesmo, e ainda se chocava com a falta de bom senso dela em não perceber que suas promessas vazias não o convenceriam, afinal, era expert no assunto pois quem mais no mundo teria se iludido tantas vezes por juras que saiam sempre da mesma boca?
Ela, já nem se machucava com tudo aquilo que ele falava. De tanto ouvir grosserias havia criado uma espécie de couraça que a impedia de se machucar. Uma proteção para amortecer as pancadas que escutava para que não atingissem o nível que faz qualquer pessoa desistir de outra.
O lugar onde antes existia amor, hoje está ocupado por outras coisas mais parecidas com indiferença, e, seja lá o que ambos tenham dentro do peito, não parece um coração. Houve álcool, houve beijos, houve dinheiro, mas faltou alguma coisa na mecânica desse encontro, embora os dois saibam exatamente para que cada um serve em relação ao outro.
Sentado na mesa ao lado, eu só posso concluir que o amor abre todos os caminhos, mas a falta dele só nos faz ver o chão da própria cela. Não sei em relação aos anjos mas é a esperança quem dá asas aos homens e esse casal por pouco não está rastejando.




[pra quem sente o gosto doce das últimas gotas de um vinho barato...]

sábado, 7 de novembro de 2009

Hoje o dia vai ser curto com as horas longas...