Toda vez que eu vou, um pedaço de mim fica. Fica nas camas que deitei, nas ruas que percorri. Nas esquinas que eu dobrei, nos horizontes que avistei. Nos abraços que recebi, nos sorrisos que eu sorri.
Toda vez que eu parto, uma metade de mim se parte. Toda vez que eu vou embora, os olhos dão adeus, mas o peito diz olá, a garganta dá um nó, as unhas vão pro espaço e a tristeza senta na poltrona ao lado. Toda vez que eu me despeço, sinto falta de mim mesmo, das palavras que eu não disse, dos amores que amei, da porta aberta de casa, dos amigos que deixei, das noites de frio e até do calor do dia. Dá saudade dos conselhos de família, dos ouvidos que me ouvem, dos lugares que estive e do chão que já foi meu.
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