Dei adeus quando os olhos se fecharam pra aquilo que o coração não queria mais ver, foi quando o peito se esvaziou daquilo que carregava, sem nunca ter questionado se o peso valia o esforço.
Dei adeus quando virei a esquina de uma rua que agora ficou pra trás, quando, a cada passo dado, abri uma nova estrada com os mesmos pés cansados de seguir sem direção.
Dei adeus quando, independente do que se ganhava ou se perdia, aceitei o que estava por vir sem remorsos ou falsas esperanças. Quando percebi que precisava apenas do que realmente importava, que meu melhor amigo era sempre eu mesmo e minha melhor conselheira é a experiência que trago na mente.
Dei adeus quando descobri o meu valor e não aceitei ser colocado na mesma balança com algo sem a minha importância.
Dei adeus quando foi melhor deixar o coração machucado do que iludido, quando fui sincero e me apresentei simplesmente como devia ser, despido de arrogância ou falsidades, e o que recebi em troca foram mentiras e acusações.
Dei adeus quando ofereci ouro e em troca recebi ferro, quando vi que insistia em fazer tanto por alguém que "tanto faz".
Dei adeus quando as lembranças passaram a fazer mal, quando entendi o que Lulu quis dizer com "...nada do que foi será, de novo, do jeito que já foi um dia..."
Dei adeus quando os sonhos e as risadas deram lugar ao ódio e rancor, quando tudo que sobrou foram as cobranças de um amor que deveria ser dado de graça.
Dei adeus quando coloquei as cartas na mesa com alguém que trapaceou, que jogou na hora, forma e com o oponente errado.
Dei adeus quando o silêncio na minha boca não cabia mais nela e precisava ocupar os ouvidos de outra pessoa.
Dei adeus quando cansei de ensinar que o amor é uma guerra, sim, mas só é vencida por aqueles que a combatem desarmados...
...e lado a lado.
Adeus.
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